Mustang - Revista Car Stereo Tuning - Janeiro de 2004

 

 

Fotos: Victor Dutra

 

 

 

Texto: Rodrigo Vieira - Autodynamics.com.br

 

 
                                                   HOT ROD DE VERDADE

           MUSTANG 1968 HARD TOP DE ANDRÉ CARRILLO É  JÓIA RARA NO MUNDO DA ARRANCADA

Fui iniciado no mundo dos Mustangs quando andava de carona em um exemplar ano 1967 de propriedade de um grande amigo, há longínquos 13 anos. Era um sonho para aquela molecada de 17 e 18 anos que se iniciava no mundo dos motores fortes. Vivíamos no meio dos Interlagos Trophy vendo Denísio com seu lindo Mustang Fastback vermelho ou Paulo Lomba com seu antigo Mustang Hard Top cinza, isso sem contar do Mustang branco da equipe Automotor.
Nos finais de semana passeávamos por São Paulo de Mustang, nos sentindo os verdadeiros Jim Morrisons ao som de L.A Woman. Enquanto os jovens passeavam de Gol, nós andávamos de Mustang, com um belo escape 8 x 2 e fazendo um belo ronco de 302 nas ruas de São Paulo, afinal o motor 289 original tinha sido trocado. Foi assim que peguei uma paixão muito grande por Mustangs. Este Mustang da feliz memória hoje está todo restaurado e em breve deve estar andando. Um dia contamos com mais detalhes essa história para vocês.
Como nosso negócio é prova de arrancada e alta performance, quando conhecemos o Mustang de André Carrillo foi outra paixão à primeira vista. E é deste carro que vamos falar nesta reportagem.
O modelo Mustang é apaixonante e quem é mordido pelo cavalinho se apaixona logo de cara. Diga-se de passagem que o Ford Mustang, carro que entrou em produção na década de 1960 nos Estados Unidos, é um tipo de carro que todos os amantes de qualquer marca admiram, seja pela história ou pelo apelo, que vai do esportivo ao clássico em questão de segundos.
Em uma das últimas edições da Car Stereo Tuning, vocês puderam ler uma reportagem sobre um Dodge Charger R/T Nitro e ali foi dito que o dono do carro também era proprietário de um Ford Mustang, e que o mesmo estava sendo restaurado para poder andar mais forte nas provas de arrancada.
André Carrillo é o feliz proprietário deste Mustang ano 1968, modelo Hard Top. Aliás, além deste Mustang, André é proprietário também do Dodge Charger Nitro, de um Maverick com preparação leve e outros V8. Mas este é aquele, como dizem por aí... filho predileto, a quem o pai dedica muito da sua atenção.
E este filho predileto, depois de quase um ano de restauração e montagem de um novo motor pelo Carlos Savignano, da Fórmula 200, voltou para a arrancada de forma triunfal, na ansiedade de representar mais forte ainda o nome dos Fords, já que a categoria hot rods paulista é liderada por Adriano Marques, proprietário do Chevrolet Camaro V8 Nitro recordista e atual campeão.
A ansiedade da equipe era tanta que uma falha só não foi mais grave, pois o piloto nada sofreu, quando na última etapa que participou, em Interlagos, sua equipe esqueceu de tirar a trava do pára-quedas do carro e André não conseguiu frear na curva ingrata que tem no final da reta e bateu forte nos pneus, danificando bastante a frente do carro.
Um clima de tristeza tomou Interlagos. Como um carro lindo como aquele poderia ser destruído em tão poucos segundos? Graças a Deus nada aconteceu com o piloto, mas o carro sofreu avarias graves na frente.
A equipe toda se uniu para reconstruir novamente a frente do carro. Em 10 dias o carro estava montado, contando com dias e noites em claro na ansiedade de poder ver novamente o cavalinho na pista.
Essa é uma das histórias que envolvem este carro, que foi montado nos mínimos detalhes.
Diferentemente do Dodge, André partiu para uma preparação mais pesada, já que este carro seria destinado somente as provas de arrancada. André então não estava querendo apenas mostrar um carro bonito e sim competir na busca da ponta. E, para isso, o novo motor montado por Carlinhos foi reconstruído na busca de muita potência.
No lugar dos pistões originais, novos pistões e bielas, agora forjadas, que garantem mais segurança em motores de alta performance. Nos cabeçotes, uma preparação refinada, com a instalação de balanceiros roletados e tuchos mecânicos, mas a equipe não revelou  que válvulas utiliza (também não podemos contar toda a receita do bolo, estou certo?). O comando de válvulas é da marca Iskenderian 296º x 296º. Foi utilizado um coletor de admissão modelo Tunnel Ram da marca Weiand e acima dois lindos carburadores quadrijet Holley com 450cfm cada.
O combustível utilizado é o Av-Gás, combustível de aviação, que produz um cheiro inconfundível quando o carro está funcionando. Esse combustível chega até os carburadores por meio de duas bombas elétricas da marca Holley, sendo dosada por um dosador da marca Aeromotive.
Para dar um pouco mais de emoção ao cavalinho e para buscar seu arqui-rival americano Chevrolet, foi instalado um Kit nitro marca NOS com dois plates e até por isso o combustível utilizado é o Av-Gás, diferente do metanol usado em motores que utilizam uma taxa de compressão mais violenta.
O fogo é gerado por uma bobina MSD Pro Power, auxiliada pelo módulo MSD 7AL-2 com distribuidor também da MSD. O fogo caminha por cabos de vela da Ford Motorsports até chegar as velas da NGK. O corte de giro está previsto para 7.400 RPM, sendo que  o giro máximo do motor fica nos 7.500 RPM.
Os coletores de escape são do tipo 4 x 1 da marca Hedman e terminam ao lado do carro em um trabalho feito pelo Paulinho, de São Bernardo do Campo, e produzem um ronco lindo de Ford. Aliás, um ronco indiscutivelmente belo e todo particular.
A equipe nos garantiu que o câmbio utilizado é o original, com diferencial 4:27.  A embreagem utilizada é da marca Center Force. O carro ainda conta com blocante, que literalmente faz com que as duas rodas traseiras girem da mesma forma. A alavanca de câmbio é da marca Hurst.
O interior vermelho do Mustang recebeu novos acabamentos, como a marca Ford Racing bordada nas laterais de porta. No painel, no local da instrumentação original, foram instalados contagiros e velocímetro da marca Autometer. Ainda no painel são encontrados pressão de combustível e óleo, temperatura de água, voltímetro, pressão de nitro e o pirômetro. Aliás, para quem não sabe, o pirômetro é utilizado medindo a temperatura do escapamento, indicando se a mistura de combustível está rica ou pobre.
No volante são encontrados os botões azuis de Line Lock e Two Step. O Line Lock é um sistema que trava as rodas dianteiras e isola as traseiras para os burnouts e também é utilizado na hora da arrancada para que o carro não se movimente e queime o farol enquanto aguarda a luz verde. O Two Step é um limitador de giro para a largada. Na hora da arrancada, André aciona os dois sistemas simultaneamente enquanto aguarda a hora da largada.
Todos os bancos originais foram mantidos em couro vermelho, apenas o banco do piloto foi trocado por um da marca San Marino, com cinto de segurança de 5 pontos da marca americana Simpson.
As rodas antigas que André utilizava foram trocadas pelas tradicionais e belas rodas da marca americana Weld com aro 15 e tala 8 na traseira e aro 15 e tala 4,5 na dianteira. Os pneus traseiros são da marca Hoosier na medida 28X11,5 aro 15. Aliás, no Brasil está sendo muito utilizado este tipo de pneus das arrancadas. Na dianteira são usados pneus largura 165 aro 15 da marca BF Goodrich.
O carro ainda conta com pára-quedas Simpson acionado manualmente pelo piloto em uma alavanca instalada perto do retrovisor interno e que garante uma freada mais brusca e o belo show do pára-quedas azul aberto, item de total necessidade, ainda mais em Interlagos. E acho que agora ninguém esquece mais de tirar a trava... Mas para garantir mais ainda a freada, foram instalados freios da marca Wilwood. Os freios traseiros foram mantidos os originais.
Depois da batida, a frente do carro foi trocada por uma de fibra, caprichosamente construída, e que temos certeza que muitos a confundem como sendo de lata. Os faróis são estilizados e pintados na frente. O carro está mais bonito do que nunca.
O carro voltou a andar já acelerando forte em São José dos Campos, mas brilhou mesmo em Curitiba, no Festival Força Livre de Arrancada. Na reta de Curitiba, André vinha espetando marcha, inclusive em uma das puxadas que o carro caminhou para a esquerda, André trouxe o carro novamente e tome motor nos 402 metros. Fez bonito e garantiu a 3ª colocação na categoria estruturada import, com o tempo de 11,020 de pista. Inclusive em uma das arrancadas do carro, pude presenciar o vistoriador da Força Livre Motorsports, o Tutto falando: Como esse carro arranca bonito! Parece que estamos nos Estados Unidos! Ainda mais porque o carro estava alinhado com o Camaro de Adriano, então imaginem o show!
Com isso o carro demonstrou o potencial que tem e isso é apenas o começo, pois a equipe pretende muito mais para o carro, principalmente em São Paulo, na ansiedade de entrar para a casa dos 10 segundos, quem sabe 9.
Enquanto não vemos novamente o carro andando em São Paulo, ficamos aqui com estas belas imagens de uma jóia rara, produzida para acelerar e brilhar muito, pois aqui nesta seção o que vale são os belos carros. Mas para que servem os belos carros se não tem uma boa cavalaria embaixo do capô?