Dodge - Revista Car Stereo Tuning - Outubro de 2003

 

 

Fotos: Ricardo Kruppa

 

 

 

Texto: Rodrigo Vieira - Autodynamics.com.br

 

 Religião.  Temos uma mania constante de falar de algo que gostamos muito e sempre citamos como sendo algo sagrado para nós.   O comerciante de 25 anos, André Carrillo, morador da cidade de Santo André no grande ABC paulista, é um daqueles caras que pode dizer que V8 para ele é uma religião.  Veja só:

 Ele diz que gosta de motores Chevrolet, Ford ou Chrysler. O importante é ser V8.   Atualmente está preparando um Ford Mustang Hardtop 1968 para emplacar na categoria Hot Rods e compete a algumas etapas com um Dodge Charger R/T 1976.

 Sua paixão pelos V8 hoje é comprovada nos 3 carros que possui.  Além do Ford Mustang e o Dodge, André ainda conta com um Maverick, que como ele mesmo diz, tem uma preparação leve (se for leve como a do Dodge, meu Deus!). Aqui você vai perceber que não se precisa de muito para se ter um V8 forte, basta uma receita boa e bem acertada.

 André teve contato com a arrancada depois da criação da categoria Hot Rods. Idealizada por Arthur Nutti (Calhambeque V8 1931), a categoria foi criada em 2002 depois que alguns problemas de adequação com regulamentos, fizeram com que alguns carros se encaixassem apenas na categoria força livre ou tração
traseira super.  A grandiosa e uma das mais inteligentes iniciativas já tomadas na arrancada, criou a categoria Hot Rods e logo na primeira vez que os carros vieram para a pista, vários Hots deram o ar da graça,  convidados por Arthur, que foi a casa de cada um, providenciou tudo e fez as inscrições, cultivando o bichinho do metanol nas veias dos participantes. Desde o início a categoria tem uma grande união e na cidade de São Paulo trouxe para a pista verdadeiras belezas, que antes ficavam apenas em encontros de carros antigos, ou em alguma bela foto...  Atualmente a categoria passa por algumas mudanças, como o projeto da proibição do nitro, blower e turbina, que pode alterar muito a vida dos participantes e ainda fazer com que carros que hoje estão prontos, tenham de ter uma nova configuração, trazendo mais regularidade para a categoria, mas com isso tirando um pouco a cavalaria, que na arrancada é essencial e o show que gostamos de ver.

 Foi assim que André estreou na categoria com um Mustang Hardtop 1968.  Com o carro ainda com preparação leve, brincou algumas vezes e resolveu partir para uma preparação mais pesada... (e esta será uma outra história...). Como o carro ainda está em fase terminal da preparação, André adquiriu um belo Dodge Charger R/T ano 1976, que apesar de estar inteiro e todo original, o motor estava precisando, diria.... de um novo fôlego!

 E cá entre nós, pessoal: Vocês acham mesmo que André iria conseguir ficar esperando o Mustang ficar pronto?  Que nada!  Não podia enferrujar o costume do acelero nos 330 metros de Interlagos...  precisava voltar  para a pista!

 Foi assim que logo depois de adquirir o Dodge, providenciou um bloco e pistão do motor Chrysler a Álcool, usando os cabeçotes, virabrequim e biela originais do motor a gasolina.  Para fazer a criança girar mais rápido, o motor recebeu um kit hidráulico de comando de válvulas, tuchos e molas da Mopar Performance.  O coletor de admissão é um Edelbrock modelo Torker II que dão passagem a gasolina de aviação carburada pelo quadrijet Holley de 650 CFM, empurrada pela bomba de combustível também da marca Holley.  O coletor de escape é dimensionado, feito em canos pelo Paulinho que além de proporcionar uma melhor descarga do motor preparado, cria um ronco estralado típico de Dodge, com a atravessada do comando deixando uma música no ar que só Dodgeiro pode explicar!    Para botar mais fogo ainda na brincadeira, André instalou um Kit de Óxido Nitroso que injetam 120 HPS de nitro.

 Na ignição foi usada uma bobina Mallory Promaster e distribuidor MSD 8534, com cabos de vela também da MSD.  Para auxiliar a ignição e queimar a mistura explosiva, foi instalado um módulo de ignição também da marca MSD modelo 6AL.

 O câmbio do carro é original de 4 velocidades.  Para a competição, foi utilizado um diferencial de relação mais curta (3,90:1) com blocante para as arrancadas que foi responsável por duas belas marcas de pneu no chão feitas por André na sessão de fotos para Car Stereo Tuning.  O carro utiliza uma embreagem da Displatô com 1800 lbs, que garantem a grudada no banco na hora do aperto pra valer no acelerador.

 O carro utiliza dois tipos de rodas e pneus, dependendo da situação que será usado.  Para as ruas, são usadas as rodas originais 14 tala 6,5 com pneus Goodyear 185/75 aro14 na dianteira e traseiras também originais, com a mesma medida, mas com pneus BF Gooodrich 225/70 aro 14.  As rodas originais da Dodge são um charme a parte e ainda foram pintadas na cor do carro, mas permanecendo os arinhos cromados dos gomos.  Coisa de Dodgeiro.

 Para a competição nas provas de arrancada, André utiliza na dianteira rodas mais finas RM modelo Palito aro 15 com 4,5 de largura e pneus BF Goodrich 165 Aro 15.  Na traseira as rodas são mais largas, sendo também da marca RM modelo Palito, com aro 15 e 7 polegadas de largura, usando pneus slicks Mickey Thompson 28 x 11,5, que na hora da arrancada esquentam bastante durante o burnout e viram um chiclete que gruda muito no chão, garantindo um grip muito mais eficiente do que o causado pelos pneus radiais originais.

 Para deixar a aparência do motor mais bonita, foram instaladas tampas da Mopar Performance, tampas estas usadas por todo Dodgeiro que se preza e que dorme com o travesseiro com a estrela da Chrysler de um lado e a marca da Mopar do outro (aliás, conheço diversas histórias...)

 No interior do carro pouquissímas alterações, mantendo a originalidade e o luxo que a Chrysler empregava nos seus carros esportivos da década de 70. Apenas o conta-giros monster até 10000 RPM instalado em cima do painel com o grande shift-light já denunciam que o piloto está mal intencionado... Instalados com todo o capricho sob o painel, estão pressão de óleo, combustível e temperatura de água também da marca Autometer linha Sport Comp.  No painel ainda você encontra as chaves do tipo aviação para acionamento do nitro.

 Com essa preparação, André conseguiu tirar 370 HPS do motor, contando com os 120 HPS do Óxido Nitroso e deixou todos de cabelo em pé em Interlagos quando virou 11.898 nos 330 metros da competição, subindo lado a lado com o maverick nitro de Eduardo Conci, em uma puxada digna dos anos 70 (Vide foto na Car Stereo Tuning do Mês de Setembro).  E como a rivalidade é grande das marcas, ficamos muito feliz de poder presenciar estes dois carro alinhados.

 Com isto André vai esquentando os pneus para esperar o seu Mustang, que está nas mãos de Carlos Saviano da Fórmula 200 (grande piloto de dragster da década de 80 e 90 em Interlagos e responsável pela montagem e manutenção de muitos V8 e Dragsters, como o caso do Dragster de André Takeda, atual recordista brasileiro de arrancada) e pelo pessoal da Cobra Jet.  Com isso aguardamos que o novo carro emplaque como um dos melhores da Hot Rods no Brasil.  E assim vamos presenciando a beleza do Dodge de André, um eclético amantes dos motores V8, sempre valorizando o que cada marca pode lhe proporcionar, evidenciado em suas palavras: "Para mim o motor 318 do Dodge é mais resistente que o 302 da Ford porém o 302 tem um curso menor que o do Dodge, o que faz ele subir suas rotações mais rápido. Porém é preciso um cuidado maior e muita manutenção para não dar problema, agora o Dodge é mais tranqüilo quanto a isso. É difícil comparar Ford e Dodge, basta  ter um bom conhecimento e também como investir para que você possa tirar absurdos de
potência de ambos os motores" diz André, um entusiasta do mundo dos V8.

 Indaguei a André o porque de termos poucos Dodges no Brasil e sua opinião foi a mesma da nossa.  Hoje os Dodges estão escassos na arrancada, justamente por muitos acharem que vão fazer feio nas pistas, devido ao
tamanho e peso do carro.  Se pegarmos como exemplo o pessoal de Belo Horizonte, que acelera fortes vários Dodges montados e acaba deixando muitos Opalas para trás (rival fortíssimo também), podemos ter certeza de que um Dodge bem acertado dá muito trabalho para os concorrentes.

 Com isso André segue seu ritmo de piloto de arrancadas, investindo alto no meio e podendo trazer para a pista verdadeiras belezas.  Cansou apenas de presenciar o Dodge do seriado dos Dukes na televisão?  Pois então apareça em Interlagos na prova de arrancada e presencie o Dodge fazendo burnout e dando trabalho na categoria Hot Rods.  Se quiser ainda saber mais sobre o carro, visite o site do piloto: www.andrev8.com.br.

 Um grande abraço aos Moparzeiros que são uma espécie rara e de fácil distinção entre os amantes dos motores V8.