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Fotos:
Ricardo Kruppa
Texto:
Rodrigo Vieira - Autodynamics.com.br
Religião.
Temos uma mania constante de falar de algo que gostamos muito e
sempre citamos como sendo algo sagrado para nós. O
comerciante de 25 anos, André Carrillo, morador da cidade de
Santo André no grande ABC paulista, é um daqueles caras que pode
dizer que V8 para ele é uma religião. Veja só:
Ele diz que gosta de motores Chevrolet, Ford ou Chrysler. O
importante é ser V8. Atualmente está preparando um
Ford Mustang Hardtop 1968 para emplacar na categoria Hot Rods e
compete a algumas etapas com um Dodge Charger R/T 1976.
Sua paixão pelos V8 hoje é comprovada nos 3 carros que
possui. Além do Ford Mustang e o Dodge, André ainda conta
com um Maverick, que como ele mesmo diz, tem uma preparação leve
(se for leve como a do Dodge, meu Deus!). Aqui você vai perceber
que não se precisa de muito para se ter um V8 forte, basta uma
receita boa e bem acertada.
André teve contato com a arrancada depois da criação da
categoria Hot Rods. Idealizada por Arthur Nutti (Calhambeque V8
1931), a categoria foi criada em 2002 depois que alguns problemas
de adequação com regulamentos, fizeram com que alguns carros se
encaixassem apenas na categoria força livre ou tração
traseira super. A grandiosa e uma das mais inteligentes
iniciativas já tomadas na arrancada, criou a categoria Hot Rods e
logo na primeira vez que os carros vieram para a pista, vários
Hots deram o ar da graça, convidados por Arthur, que foi a
casa de cada um, providenciou tudo e fez as inscrições,
cultivando o bichinho do metanol nas veias dos participantes.
Desde o início a categoria tem uma grande união e na cidade de São
Paulo trouxe para a pista verdadeiras belezas, que antes ficavam
apenas em encontros de carros antigos, ou em alguma bela foto...
Atualmente a categoria passa por algumas mudanças, como o projeto
da proibição do nitro, blower e turbina, que pode alterar muito
a vida dos participantes e ainda fazer com que carros que hoje estão
prontos, tenham de ter uma nova configuração, trazendo mais
regularidade para a categoria, mas com isso tirando um pouco a
cavalaria, que na arrancada é essencial e o show que gostamos de
ver.
Foi assim que André estreou na categoria com um Mustang
Hardtop 1968. Com o carro ainda com preparação leve,
brincou algumas vezes e resolveu partir para uma preparação mais
pesada... (e esta será uma outra história...). Como o carro
ainda está em fase terminal da preparação, André adquiriu um
belo Dodge Charger R/T ano 1976, que apesar de estar inteiro e
todo original, o motor estava precisando, diria.... de um novo fôlego!
E cá entre nós, pessoal: Vocês acham mesmo que André
iria conseguir ficar esperando o Mustang ficar pronto? Que
nada! Não podia enferrujar o costume do acelero nos 330
metros de Interlagos... precisava voltar para a pista!
Foi assim que logo depois de adquirir o Dodge, providenciou
um bloco e pistão do motor Chrysler a Álcool, usando os cabeçotes,
virabrequim e biela originais do motor a gasolina. Para
fazer a criança girar mais rápido, o motor recebeu um kit hidráulico
de comando de válvulas, tuchos e molas da Mopar Performance.
O coletor de admissão é um Edelbrock modelo Torker II que dão
passagem a gasolina de aviação carburada pelo quadrijet Holley
de 650 CFM, empurrada pela bomba de combustível também da marca
Holley. O coletor de escape é dimensionado, feito em canos
pelo Paulinho que além de proporcionar uma melhor descarga do
motor preparado, cria um ronco estralado típico de Dodge, com a
atravessada do comando deixando uma música no ar que só Dodgeiro
pode explicar! Para botar mais fogo ainda na
brincadeira, André instalou um Kit de Óxido Nitroso que injetam
120 HPS de nitro.
Na ignição foi usada uma bobina Mallory Promaster e
distribuidor MSD 8534, com cabos de vela também da MSD.
Para auxiliar a ignição e queimar a mistura explosiva, foi
instalado um módulo de ignição também da marca MSD modelo 6AL.
O câmbio do carro é original de 4 velocidades. Para
a competição, foi utilizado um diferencial de relação mais
curta (3,90:1) com blocante para as arrancadas que foi responsável
por duas belas marcas de pneu no chão feitas por André na sessão
de fotos para Car Stereo Tuning. O carro utiliza uma
embreagem da Displatô com 1800 lbs, que garantem a grudada no
banco na hora do aperto pra valer no acelerador.
O carro utiliza dois tipos de rodas e pneus, dependendo da
situação que será usado. Para as ruas, são usadas as
rodas originais 14 tala 6,5 com pneus Goodyear 185/75 aro14 na
dianteira e traseiras também originais, com a mesma medida, mas
com pneus BF Gooodrich 225/70 aro 14. As rodas originais da
Dodge são um charme a parte e ainda foram pintadas na cor do
carro, mas permanecendo os arinhos cromados dos gomos. Coisa
de Dodgeiro.
Para a competição nas provas de arrancada, André utiliza
na dianteira rodas mais finas RM modelo Palito aro 15 com 4,5 de
largura e pneus BF Goodrich 165 Aro 15. Na traseira as rodas
são mais largas, sendo também da marca RM modelo Palito, com aro
15 e 7 polegadas de largura, usando pneus slicks Mickey Thompson
28 x 11,5, que na hora da arrancada esquentam bastante durante o
burnout e viram um chiclete que gruda muito no chão, garantindo
um grip muito mais eficiente do que o causado pelos pneus radiais
originais.
Para deixar a aparência do motor mais bonita, foram
instaladas tampas da Mopar Performance, tampas estas usadas por
todo Dodgeiro que se preza e que dorme com o travesseiro com a
estrela da Chrysler de um lado e a marca da Mopar do outro (aliás,
conheço diversas histórias...)
No interior do carro pouquissímas alterações, mantendo a
originalidade e o luxo que a Chrysler empregava nos seus carros
esportivos da década de 70. Apenas o conta-giros monster até
10000 RPM instalado em cima do painel com o grande shift-light já
denunciam que o piloto está mal intencionado... Instalados com
todo o capricho sob o painel, estão pressão de óleo, combustível
e temperatura de água também da marca Autometer linha Sport Comp.
No painel ainda você encontra as chaves do tipo aviação para
acionamento do nitro.
Com essa preparação, André conseguiu tirar 370 HPS do
motor, contando com os 120 HPS do Óxido Nitroso e deixou todos de
cabelo em pé em Interlagos quando virou 11.898 nos 330 metros da
competição, subindo lado a lado com o maverick nitro de Eduardo
Conci, em uma puxada digna dos anos 70 (Vide foto na Car Stereo
Tuning do Mês de Setembro). E como a rivalidade é grande
das marcas, ficamos muito feliz de poder presenciar estes dois
carro alinhados.
Com isto André vai esquentando os pneus para esperar o seu
Mustang, que está nas mãos de Carlos Saviano da Fórmula 200
(grande piloto de dragster da década de 80 e 90 em Interlagos e
responsável pela montagem e manutenção de muitos V8 e Dragsters,
como o caso do Dragster de André Takeda, atual recordista
brasileiro de arrancada) e pelo pessoal da Cobra Jet. Com
isso aguardamos que o novo carro emplaque como um dos melhores da
Hot Rods no Brasil. E assim vamos presenciando a beleza do
Dodge de André, um eclético amantes dos motores V8, sempre
valorizando o que cada marca pode lhe proporcionar, evidenciado em
suas palavras: "Para mim o motor 318 do Dodge é mais
resistente que o 302 da Ford porém o 302 tem um curso menor que o
do Dodge, o que faz ele subir suas rotações mais rápido. Porém
é preciso um cuidado maior e muita manutenção para não dar
problema, agora o Dodge é mais tranqüilo quanto a isso. É difícil
comparar Ford e Dodge, basta ter um bom conhecimento e também
como investir para que você possa tirar absurdos de
potência de ambos os motores" diz André, um entusiasta do
mundo dos V8.
Indaguei a André o porque de termos poucos Dodges no Brasil
e sua opinião foi a mesma da nossa. Hoje os Dodges estão
escassos na arrancada, justamente por muitos acharem que vão
fazer feio nas pistas, devido ao
tamanho e peso do carro. Se pegarmos como exemplo o pessoal
de Belo Horizonte, que acelera fortes vários Dodges montados e
acaba deixando muitos Opalas para trás (rival fortíssimo também),
podemos ter certeza de que um Dodge bem acertado dá muito
trabalho para os concorrentes.
Com isso André segue seu ritmo de piloto de arrancadas,
investindo alto no meio e podendo trazer para a pista verdadeiras
belezas. Cansou apenas de presenciar o Dodge do seriado dos
Dukes na televisão? Pois então apareça em Interlagos na
prova de arrancada e presencie o Dodge fazendo burnout e dando
trabalho na categoria Hot Rods. Se quiser ainda saber mais
sobre o carro, visite o site do piloto: www.andrev8.com.br.
Um grande abraço aos Moparzeiros que são uma espécie rara
e de fácil distinção entre os amantes dos motores V8.
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