Dodge - Revista Auto & Técnica - Outubro de 2004

 

 

Fotos: Américo Troccoli

 

     

 

 

Texto: Heymar Lopes Nunes

 

 
                                                  
Dodge R/T de 390 cavalos

Para fazer um Dodge Charger R/T andar forte não é preciso fazer muita coisa, mas tirar de seu motor 390 cavalos, aí sim já fica um pouco mais difícil. Só que o apaixonado por “veoitão”, André Carrillo, um comerciante de Santo André, na grande São Paulo, topou o desafio e resolveu fazer seu carro andar um pouco mais e principalmente mais rápido. Não é a toa que já chegou em segundo lugar no campeonato paulista de arrancada na categoria TTO (tração traseira original).

Junto com o preparador Isaac, André começou as diversas modificações no motor mas fez questão de manter diversos componentes originais, como bielas, pistões e virabrequim.

No câmbio nada foi feito e apenas o diferencial teve sua relação encurtada para 3,90:1. O trabalho todo começou pelo cabeçote, onde foram instalados balanceiro regulável, válvulas maiores molas de maior carga, o  comando de válvulas é da Mopar de 324 graus e o coletor de admissão da marca Edelbrok modelo Torker 2.

Para alimentar tudo isso, André colocou um Quadrijet de 750 cfm e bomba de combustível de competição própria para metanol, ambos da Holley. Para “por fogo” em tudo isso foi usada uma bobina Mallory Promaster e distribuidor MSD, com cabos de vela também da MSD. Um módulo MSD modelo 6AL também foi instalado, as velas da NGK são mais frias que as originais. Para dar maior vazão aos gases da queima do metanol, canos dimensionados da Paulinho Escapamentos foram providenciados. E esse trabalho de escapamento, muitas vezes esquecido por preparadores, deu não só um melhor rendimento ao motor, como também conseguiu um ronco forte que parece música para quem gosta de V8.

Por dentro pouca coisa mudou, mantendo o luxo e o conforto que só os Dodges ofereciam naquela época. De diferente mesmo, apenas o conta-giros monster até 10.000 RPM instalado em cima do painel com o grande shift-light. Também estão lá os indicadores de pressão de óleo, combustível e temperatura de água, todos da linha Autometer Sport Comp.

Quem vê o Dodge de André Carrillo, andando calmamente por ai, é bem provável que nem vai notar a cavalaria toda que ele tem. Por fora o carro é totalmente original, inclusive a cor e a capota de vinil. Apenas duas coisas podem chamar a atenção: o estreito pneu dianteiro e o pequeno “pacote”, na verdade o pára-quedas preso na traseira do carro. Fora isso, nada  foge à originalidade do modelo fabricado em 1976.

Agora quando André resolve forçar um pouquinho o pedal da direita, aí sai da frente porque o carro anda e anda muito. Logo na arrancada os pneus fritando deixam vários metros de marca no asfalto e depois ainda tem mais quando troca para segunda e terceira.

Daí para frente já não dá mais para ver pois o carro já está bem longe, só se escuta o ronco forte do motor.

A prova da força toda deste motor foi comprovada no dinamômetro da Funari Automotiva, de São Paulo (11 6591-1795). O Dodge alcançou exatos 390 cavalos (312cv chegam efetivamente às rodas) e atingiu a velocidade máxima de 220,4 Km/h. Só não podemos esquecer que com todas as modificações que recebeu, o Dodge pesa 1.580 Kg.

Mas André diz que ainda não está contente e promete muitas novidades. “Até o fim deste ano o motor do meu carro vai estar ainda mais forte com alguns equipamentos que pretendo colocar”. Bem, com esta afirmação, é bem provável que em breve a potência esteja passando dos 400 cavalos. É só esperar.